Terceira Copa do Mundo.

Fevereiro 9, 2010 on 12:00 am | Em COPA DA ÁFRICA |

Oito de maio de 2006. O telefone toca na residência de Carlos Simon, em Porto Alegre. Do outro lado da linha, o todo poderoso presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, informa e parabeniza o árbitro. Pela segunda vez consecutiva ele iria apitar uma Copa do Mundo.

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Passados quase quatro anos completos, a cena talvez não se repita. Hoje o anúncio dos árbitros do próximo mundial é feito na página oficial da Fifa, mas com certeza o nome de Simon está lá. O gaúcho foi o indicado pela CBF, junto com Altemir Hausmann e Ednilson Corona, para representar o Brasil na África do Sul. Ele é o único do país a participar de três Copas do Mundo.

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Alvo de críticas de dirigentes e jornalistas nas últimas temporadas, Simon ainda goza de muito prestígio com o alto escalão da CBF e da Comissão de Arbitragem. Nem os erros em jogos decisivos ou as polêmicas com cartolas o tiram das principais competições mundiais. Aos 44 anos, Simon planeja encerrar a carreira no final de 2010. Após isso, já tem uma missão para cumprir.

Outros projetos também estão na gaveta do árbitro, que deixou a presidência do Sindicato gaúcho da categoria em 2009. Petista de carteirinha, é filiado desde 1986, ele não descarta seguir a carreira política. Virar comentarista de arbitragem pode ser também o destino. Ele é formado em jornalismo pela PUC-RS.

Você está indo para mais uma Copa do Mundo. Como se sente, sendo o único brasileiro a conseguir esse feito, participar de três mundiais?
Vejo como a coroação dos meus 26 anos de trabalho. Estou muito feliz, mas aguardando ainda a confirmação do anúncio. Vai ser mais um feito nessa carreira que considero vitoriosa.

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Você acha que existem outros árbitros brasileiros que poderiam apitar uma Copa do Mundo? O seu nome, pela terceira vez, não é uma prova da falta de renovação?
Absolutamente. Há sucessores, sim. Têm o Sálvio Fagundes, o Heber Roberto Lopes, o Paulo César Oliveira, o Leandro Vuaden, o Gaciba. Acho que esses são grandes árbitros. Daí pode sair o brasileiro para o mundial de 2014. Quanto a mais uma indicação do meu nome, eu trabalhei muito para isso. Tenho 44 anos, mas sou aprovado em todos os testes físicos. Fiz por merecer. Se você pegar o ranking da CBF, hoje eu sou o número 1. E o ranking é baseado em uma série de atividades que têm que ser cumpridas. Desde que fizeram o ranking eu estou nessa colocação. E por que sou o número 1? Porque sou amigo do fulano, cicrano, beltrano? Evidentemente que não.O número um é o que passa por várias provas e se classifica.

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E o ano de 2009, como você classifica o seu desempenho. A punição da comissão de arbitragem (foi afastado dos jogos do Brasileiro, após a partida entre Fluminense e Palmeiras) não manchou a sua temporada?
Não. Eu respeito a comissão de arbitragem. Mas também não me manifesto sobre isso. Eu prefiro falar do meu ano espetacular, apitando a abertura e a semifinal do Mundial de Clubes. Então, um cara que termina a temporada assim, sendo elogiado pela comissão de arbitragem da Fifa, só tem a agradecer.

E a polêmica com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo?
Sobre esse caso com o Belluzo eu não vou me manifestar. Meu advogado está cuidando disso.

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E a acusação do goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, de que você o persegue?
Eu apitei 45 jogos do Rogério Ceni. Ele tomou três cartões amarelos e dois vermelhos. Eu persigo ele? Devem ter outros árbitros que deram muito mais cartões.

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Você se sente perseguido por dirigentes e jornalistas?
Não, acho que a cobrança é normal pelo meu nome e carreira que já construí. Eu já tive os meus equívocos, mas que atire a primeira pedra quem nunca cometeu um erro.

Qual erro lhe incomodou mais?
Foram muito mais acertos que erros. O único que errei, em jogo decisivo, foi na partida entre Botafogo e Atlético Mineiro. Esse eu admito!

E qual foi o jogo mais difícil na sua carreira?
Apitei vários jogos, várias decisões. Foram cinco finais de Brasileiros, cinco finais da Copa do Brasil, 19 clássicos Gre-Nais, Mundial de Clubes e Copa do Mundo. São vários. Agora, um que foi muito marcante é a final do Campeonato Brasileiro de 1998, entre Cruzeiro e Corinthians. Tinha entrado para a Fifa um ano antes e era a minha primeira final de Brasileiro.

E o clássico, qual é o mais complicado?
Nenhum jogo é mais complicado que o Gre-Nal. Tem as suas peculiaridades. Eu apitei 19 clássicos e gosto muito dessa responsabilidade. Fiquei muito popular aqui no Rio Grande do Sul. Mesmo estando sempre no foco, sempre andei pelo centro da cidade e nunca tive problema.

A política deve ser o seu destino depois de se aposentar?
Eu sou filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1986. Inclusive já estive em palanque com o Lula, na época em que trabalhava no sindicato dos bancários de Porto Alegre. Estivemos juntos algumas vezes, ainda na década de 80. Depois voltei a encontrá-lo, em 2003, já em Brasília. Fui levar uma reivindicação contra o sorteio dos árbitros. É uma coisa que não tem sentido. Infelizmente ele segue em vigor. Mas sobre o meu futuro, só vou definir depois de me aposentar, depois da Copa do Mundo.

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