Contrastes.
Fevereiro 4, 2010 on 12:00 am | Em COMENTÁRIOS |O cenário de técnicos brasileiros conseguiu dar uma oxigenada em 2009. Alguns novos nomes com potencial surgiram. O mais notório é Andrade, campeão brasileiro com o Flamengo. Outro de destaque no Nacional foi Silas. Com um modesto Avaí, ele conseguiu terminar a competição na sexta colocação, após ter amargado a lanterna do torneio. Sendo dono de uma campanha elogiável, em um clube cotado para cair, o ex-meia deu o passo seguinte na carreira, indo treinar um clube grande. O seu destino foi o Grêmio. Ao firmar os dois pés desse passo, Silas começa a sentir a pressão dos tempos de jogador da seleção brasileira.

Em números, sua campanha em quase um mês de trabalho no Olímpico não é ruim. O time tricolor perdeu uma partida para o Inter. De resto são três vitórias e dois empates, ambos em casa. Se as estatísticas parecem estar a seu favor, o desempenho do time está indo contra. Silas não conseguiu mostrar ainda qual ideia quer implantar. Ele se mostra perdido, precisando tatear com cuidado para seguir com o seu trabalho para não cometer um erro fatal.

O torcedor perdeu a paciência. De cabeça fervendo ao ir assistir o Grêmio empatar por 1 a 1 com o São Luiz, com uma temperatura de 41 graus e nenhuma nuvem no céu de Porto Alegre, Silas foi vaiado e chamado de burro. Os primeiros passos no Campeonato Brasileiro passado foram em falso com o Avaí. A primeira vitória ocorreu somente na sexta rodada. A campanha gremista está longe de ser ruim, mas o Gauchão é um torneio de nível bem mais baixo.
A primeira ideia de Silas era atuar com três meias e um atacante. Não funcionou. Depois, o treinador passou a ter dois atacantes e dois homens na armação. Também deixou a desejar. Sua terceira tentativa é o 3-5-2. Neste sistema, a defesa passou a ser menos vazada, mas o ataque perdeu rendimento. Em seis jogos, o Grêmio sofreu gols em todos. Em seis jogos, o Grêmio sempre saiu atrás no marcador. Elucidar as razões para isso ainda não foi possível.

Em busca de uma formação que lhe dê um fio de esperança de que possa engrenar, Silas deverá realizar mais modificações na sua sétima partida. Com atuações destacadas sempre que entra, Mayslon virará titular do meio-campo. Seu ingresso deve retornar o 4-4-2. O treinador espera a liberação legal para colocar o meia Douglas em campo. Silas pede tempo para trabalhar. Quanto a direção lhe dará de tempo não se sabe, mas o volume de trabalho será grande.

Enquanto isso, na Toca da Raposa, o esquema com três atacantes alavancou o Cruzeiro a golear com muita facilidade o Real Potosí. Apesar do placar de 7 a 0 e a vaga na fase de grupos da Copa Libertadores, o técnico Adílson Batista enfatizou que dificilmente repetirá a formação ofensiva durante a temporada. O comandante justificou que o atacante brasileiro não possui o ‘comprometimento’ com a marcação. O discurso do treinador acabou sendo incentivado pelo atacante Kleber. Garantido no Cruzeiro, após ver sua transferência para o Porto fracassar, o Gladiador aprovou o esquema com três atacantes e destacou o espírito da equipe no duelo diante do Real Potosí.
E aí? Qual deles tem razão?
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