Marco van Basten
Os entusiastas do bom futebol sempre lamentaram a aposentadoria precoce, por problemas de lesão, do atacante Marco van Basten, grande personagem na maior (única?) conquista da seleção holandesa: a Eurocopa 1988. Por isso, não foi sem entusiasmo que público e crítica saudaram a chegada do ex-atacante do Milan ao cargo de treinador da Laranja, em julho de 2004, para substituir Dick Advocaat.
Na ocasião, Van Basten tinha apenas 39 anos e vinha atuando como assistente-técnico do Ajax, clube onde também fizera história como jogador. Advocaat pediu demissão após a Eurocopa 2004. A Holanda fizera campanha regular na primeira fase, classificando-se em segundo lugar, no grupo em que contava também com República Tcheca (que terminou em primeiro), Alemanha e Letônia. Nas quartas, superou a Suécia, mas acabou eliminada por Portugal de Felipão nas semifinais.
Em busca de uma campanha digna na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, Van Basten optou em deixar de fora velhos medalhões – como Stam, Seedorf, Davids, Kluivert e Hasselbaink – para apostar em outros nomes. Entre eles, estavam Van Persie, Van Nistelrooy e Robben. Com essa renovação, a Holanda chegou à Copa credenciada com o favoritismo trazido das Eliminatórias, quando fez, de longe, a melhor campanha: em 12 jogos, a Laranja não perdeu nenhuma partida e sofreu apenas três gols.
No Mundial, havia o temor por ter caído naquele que era considerado o “grupo da morte”, com a bicampeã Argentina; a melhor seleção africana, Costa do Marfim; além da Sérvia e Montenegro. Passou em segundo lugar, com a mesma pontuação dos argentinos, mas teve pela frente, nas oitavas, a mesma pedra no sapato da Eurocopa: a seleção portuguesa. As equipes fizeram o melhor confronto do Mundial (só comparável à semifinal entre Alemanha e Itália), com muito equilíbrio e, especialmente, virilidade (com direito a Cristiano Ronaldo saindo contundido a quatro minutos de jogo).
Mas a estrela de Felipão novamente brilhou e, com gol de Maniche, Portugal seguiu e a Holanda voltou para casa. Em 2008, Van Basten sonhava em repetir, como treinador, o mesmo feito obtido como atleta há 20 anos, quando, com um inacreditável sem-pulo, vazou a muralha soviética Dasaev, decretando a vitória e o título da Euro para a Laranja. Na primeira fase, não teve problemas para vencer os três confrontos contra Itália, Romênia e França. Mas, como a vingança é um prato que se come frio, a Rússia cruzou o caminho dos holandeses nas quartas e impôs 3 a 1, revelando ao mundo o talento de Pavlyuchenko e Arshavin.
Se Van Basten já havia anunciado com antecedência que deixaria o comando da seleção após a Euro, a eliminação precoce, naturalmente, não o fez mudar de idéia. Seus números foram de 52 partidas, com 35 vitórias, 11 empates e 6 derrotas. Seu sucessor foi Bert van Marwijk.
Jürgen Klinsmann
Mesmo sem nunca ter atuado como treinador, o bom moço Jürgen Klinsmann, campeão mundial como jogador na Copa de 1990, na Itália, assumiu o comando da Nationalelf em 26 de julho de 2004. Há 20 anos, quando topara o mesmo desafio, Franz Beckenbauer contava com uma geração extremamente talentosa, liderada pelos meias Rummenigge e Matthaus.
Mas, no caso de Klinsmann, o buraco era bem mais embaixo. A Alemanha vivia uma verdadeira entressafra de craques, que fazia com que os principais veículos da imprensa local temessem por uma humilhante participação alemã na Copa do Mundo que o próprio país sediaria dali a dois anos.
A Klinsmann foi dada a mesma orientação feita por Stanley Kubrick a Jack Nicholson na rodagem de O Iluminado: “faça algo brilhante”.E, mesmo cercado por desconfianças, ele fez. Boa parcela da onda de críticas que recebeu no início do trabalho tinha a ver com o fato do ex-jogador sequer residir em solo alemão. Desde que encerrara a carreira como atleta, Klinsmann se radicara nos Estados Unidos, onde tocava uma empresa de consultoria de marketing esportivo, com participação nos Los Angeles Galaxy – muito antes, portanto, de Beckham dar ao clube evidência internacional.
A aposta era que sua personalidade vibrante pudesse, de alguma maneira, instigar a necessidade da superação como forma de minimizar as limitações técnicas do elenco, formado essencialmente por promessas como Schweinsteiger e Podolski. Para ajudá-lo na missão, Klinsmann colocou caras novas em posições de confiança em sua comissão, como o também ex-jogador Olivier Bierhoff, que injetou frescor numa estrutura tradicionalmente conservadora e traumatizada pela indigna performance na Eurocopa 2004 (quando não passou da primeira fase).
Apropriando-se do estilo Felipão, Klinsmann conseguiu, em pouco tempo, recuperar a auto-estima da seleção, disseminando por todo o povo germânico aquele pegajoso sentimento de “eu acredito” para o Mundial 2006, especialmente após obter um decente terceiro lugar na Copa das Confederações, um ano antes. As boas vibrações emanadas por Klinsmann tomaram conta do país e ficaram simbolizadas num gesto do sempre arrogante Oliver Kahn. Considerado o melhor jogador da Copa de 2002, o arqueiro não se conformava em ser reserva de Jens Lehman no Mundial em casa.
Disse que a única coisa que o titular fazia melhor que ele era bater tiro de meta. No entanto, com as atuações impecáveis do concorrente, Kahn se rendeu e chegou a ser flagrado pelas câmeras de TV com palavras de incentivo a Lehman antes da disputa de pênaltis contra a Argentina, pelas quartas-de-final. Antes, na primeira fase, a Alemanha já tinha feito campanha impecável, vencendo os três jogos, com destaque para a estréia, quando mostrou ao mundo seu cartão de visitas com um vigoroso 4 a 2 sobre a Costa Rica.
Nas oitavas, os alemães também não tiveram grandes problemas para superar a Suécia, por 2 a 0. Na fase seguinte, possivelmente estimulado pelas palavras do “amigo” Kahn, Lehmann defendeu as cobranças de Ayala e Cambiasso contra a Argentina, após empate por 1 a 1 no tempo normal, e garantiu o time nas semifinais, onde perderia para a Itália, futura campeã. Mas os subordinados de Klinsmann não abririam mão da honrosa terceira posição, ao bater a seleção portuguesa, de Scolari, por 3 a 1. Dias depois, Klinsmann anunciava sua saída, sob a justificativa de querer se dedicar à família. Seus números foram de 21 vitórias, 7 empates e 6 derrotas. Joachim Löw, que trabalhara com ele como assistente-técnico, assumiu o cargo vago.